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Mercado de games em expansão no Brasil

Segundo pesquisa Newzoo, Brasil tem mais de 75 milhões de jogadores, e a expectativa é de que este ano o setor movimente cerca de 1,5 bilhão de dólares

Por Barney Campos - 29 de Outubro de 2018, 11:25
Mercado de games em expansão no Brasil Brasil Game Show, que aconteceu em São Paulo, reuniu mais de 300 mil visitantes . | Foto: Divulgação/Brasil Game Show 2018

Pode ser um indivíduo beirando os 40 anos no auge do saudosismo, ou até mesmo uma criança de sete. Não importa. Em constante evolução, os games não param de superar limites. Segundo pesquisa Newzoo, aqui no Brasil a previsão é a de que esse mercado este ano movimente a impressionante cifra de 1,5 bilhão de dólares. Também pudera: ainda segundo a mesma pesquisa, o país tem mais de 75 milhões de jogadores.

Esses números não foram alcançados à toa. A evolução dos consoles e jogos impressiona, aumentando cada vez mais a lista de fãs. Os games atuais contam com produções cinematográficas, com direito até a orquestras. Hoje os gráficos cada vez mais realistas e os jogos on-line são coisas comuns para a nova geração de gamers. Mas para os quase quarentões, acompanhar a transformação dos jogos de luta após a chegada de Street Fighter II nos fliperamas no início dos anos 90, por exemplo é algo que marca a história. Desse jogo revolucionário, além da excelente qualidade gráfica da época, nasceu a famosa “meia-lua com soco” que produz um hadouken, movimento que passou a ser adotado religiosamente por outros milhares de games ao longo dos anos. Atire a primeira pedra quem nunca virou uma madrugada com os amigos disputando um campeonato de International Super Star Soccer no Super Nintendo, ou mesmo Winning Eleven no Play Satation 1? Quem nunca gastou horas e mais horas passando as centenas de fases e descobrindo estágios secretos em Super Mario World e na trilogia Donkey Kong Country? Ou então destrinchar durante um dia inteiro (ou uma noite inteira) a revista Super Game Power, testando absolutamente todos os fatalities de Mortal Kombat II, que acabaram de ser publicados na edição do mês. É, a vida sem internet era difícil.

Um claro reflexo desse crescimento constante é a Brasil Game Show (BGS 2018), que aconteceu de 10 a 14 de outubro no Expo Center Norte, em São Paulo. Cerca de 300 mil visitantes do Brasil e do mundo conheceram os próximos lançamentos das plataformas de jogos mais famosas do planeta. Além disso, os cosplays (gente que se fantasia de personagens dos games) foi uma atração a parte. Jornalista, autor de livros sobre a evolução dos games e gerente geral da BGS 2018, Renan Barreto concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal Multiplix.

- Segundo pesquisa Newzoo, o Brasil tem mais de 75 milhões de jogadores, e a expectativa é a de que o setor de games movimente aqui no país cerca de 1,5 bilhão de dólares este ano. O sucesso do BGS 2018 é um espelho desse fenômeno?

Renan Barreto: O sucesso é uma questão mais complexa do que ser um reflexo do mercado. A BGS é mais do que um evento, é um momento em que toda o mercado e a comunidade gamer se une em cinco dias de celebração dessa indústria tão pulsante e incrível como é a de videogames. O evento é o momento em que todas as tendências convergem e mostram a força que o mercado brasileiro tem de absorvê-las. O país possui milhões de jogadores que se dividem em mobile, consoles, PCs e em gêneros de jogos muito distintos. Há espaço para os games ganharem ainda mais espaço e certamente a BGS continuará sendo o lugar certo para que empresas e consumidores dialoguem e vivam grandes momentos na Maior Feira de Games da América Latina e, sem dúvida, uma das maiores do mundo. 

- Quais foram as atrações de maior destaque na feira?

Renan Barreto: A BGS é um evento plural. Tem atividades para todos os gostos. Quem quer conhecer seu ídolo, há o espaço de Meet & Greet; no Cosplay Zone, os visitantes se divertem com as performances de cosplayers com incríveis níveis de detalhe em suas roupas; a Brasil Game Cup tem campeonatos todos os dias e é o nosso palco principal, com plateia de cerca de 2.000 pessoas, além de ter transmissão para todas as plataformas de streaming atuais; a Brasil Game Jam é o espaço em que 10 equipes passam 48 horas desenvolvendo jogos e o melhor é votado no último dia do evento; A evolução do videogame é uma exposição do Marcelo Tavares (CEO da BGS) que conta com o acervo pessoal dele e mostra consoles da primeira geração até a atual; BGS Talks, um espaço democrático em que qualquer pessoa que esteja no evento possa sentar na plateia e interagir com grandes nomes do mercado de games, como produtores e diretores de grandes jogos. Como destaque, tivemos a estreia do BGS Summit, um ciclo de palestras fechado para um público focado em desenvolvimento de games e imprensa. Levamos grandes nomes como Fumito Ueda (Shadow of the Colossus), Harada (Tekken) e Yoshinori Ono (Street Fighter), por exemplo.

Legenda: Cosplay - Felícia - SpidermanLegenda: Cosplay - Felícia - Spiderman. | Foto: Divulgação/Divulgação/Brasil Game Show 2018

- O evento contou com nomes como Cory Balrog (diretor de God of War), Rod Fergusson (diretor da franquia Gears of War), Yoshinori Ono (produtor executivo da franquia Street Fighter), Daniel Pesina (ator do game Mortal Kombat), Charles Martinet (dublador do Mário) entre outros nomes. Do público visitante, quem ficou mais impressionado com esses caras? A nova geração de gamers ou os saudosistas?

Renan Barreto: É engraçado isso porque são nomes com apelo muito grande entre os gamers, desde os mais antigos até os mais jovens. Um exemplo é o próprio Nolan Bushnell, criador do Atari. Famílias levam seus ataris para serem autografados e explicam para os filhos o que aquele momento significa. Lembro também de momentos bem legais em que diretores e produtores de games como Kojima reverenciavam os criadores e desenvolvedores iniciais, que fundaram a indústria. Mas cada produtor tem seu público e acredito que na BGS conseguimos atender a todos os gostos. Basta gostar de games para aproveitar tudo o que o evento tem a oferecer. 

- Qual é a expectativa para a BGS 2019?

Renan Barreto: A expectativa nossa é grande e tenho certeza que a responsabilidade para entregar um evento de qualidade aumenta a cada ano. Somos concorrentes de nós mesmos, precisamos melhorar e melhorar sempre. Se 2018 foi muito bom, 2019 precisa ser ainda melhor. A próxima fase é sempre a mais difícil, não é? Já estamos trabalhando duro para 2019 e espero poder contar com todos lá. 

Nolan Bushnell (criador do Atari), Charles Martinet (dublador do Mário), Yoshinori Ono (produtor executivo da franquia Street Fighter)Nolan Bushnell (criador do Atari), Charles Martinet (dublador do Mário), Yoshinori Ono (produtor executivo da franquia Street Fighter). | Foto: Divulgação/Divulgação/Brasil Game Show 2018