Empresários do Rio de Janeiro iniciam o ano mais otimistas

Índice da Firjan mostra que indicador de expectativas para os próximos seis meses é o maior dos últimos dez anos

Por Matheus Oliveira
01/02/19 - 11:49
Empresários do Rio de Janeiro iniciam o ano mais otimistas Indústria começou 2019 com otimismo para gerar empregos e realizar negócios | Foto: Banco de Imagem

A chegada de um novo ano trouxe mais otimismo para os empresários da indústria do estado do Rio de Janeiro, de acordo com o Índice de Confiança do Empresário Industrial Fluminense elaborado pela Firjan e divulgado na última quarta-feira, dia 30 de janeiro. Este é o maior índice alcançado pelos fluminenses desde 2011. O índice atingiu 60,4 pontos em janeiro. Os resultados acima de 50 indicam otimismo. A pesquisa, composta por indicadores de condições atuais e de expectativas, varia de zero a cem pontos. Os resultados acima de 50 indicam otimismo.

De acordo com Walmir Martins, gerente administrativo da 3F, indústria do setor de ferragens de Nova Friburgo, este otimismo pode ser expressado através das mudanças na política e por um cenário favorável na economia.

“Esse otimismo vem, primeiro, por conta de um cenário econômico mundial mais favorável e também à mudança na política. Não quer dizer que seja melhor ou pior, ainda é cedo para avaliação, porém vem com uma linha de pensamento coerente e que vale a pena dar um voto de confiança. Mas é nítido que fundamentos macroeconômicos estão mais estáveis.”, avalia, elencando que medidas devem ser tomadas pelas esferas de governo para manter este cenário.

“Cumprir o que foi prometido. Existe uma agenda de reformas da previdência e tributária que precisa avançar, sem contar as medidas de melhorar o ambiente dos negócios, ainda está muito travado.”, declara.

O profissional ainda revela que ações práticas são feitas em uma empresa com um cenário econômico favorável.

“Um cenário econômico favorável dinamiza e muito o meio industrial, pois o setor é movido pela demanda, principalmente interna, o que faz girar toda a engrenagem, gerando empregos, investimentos e aumento de renda. É um ciclo que se retroalimenta. Contudo, ainda precisamos aparar arestas neste ambiente que depende das ações do governo. Eu compartilho da ideia que se o governo não atrapalhar já ajuda bastante.”, diz.

O estudo

De acordo com a Firjan, no levantamento realizado entre 7 e 17 de janeiro, um dos destaques desta edição foi o indicador de expectativas para os próximos seis meses, que em uma escala de 0 a 100 registrou 66 pontos, também o maior valor para o mês de janeiro desde 2011. Na comparação com janeiro de 2018, houve avanço de mais de 10 pontos. A expectativa é positiva com relação à economia brasileira, fluminense e à situação das empresas.

A expectativa relacionada à demanda por produtos também melhorou. No início do ano passado, o indicador ficou em 52,3 pontos e neste ano registrou 59,1. O indicador de compra de matéria-prima também cresceu. Com isso, os empresários indicaram que pretendem retomar as contratações. Porém, para a realização de novos investimentos, ainda aguardam a redução da ociosidade das fábricas e a recuperação efetiva da situação financeira das empresas.

Indicadores de condições atuais e expectativasIndicadores de condições atuais e expectativas | Imagem: Divulgação/Firjan

Por outro lado, o indicador de condições atuais registrou 49,2 pontos, representando pessimismo mesmo com o crescimento em relação a janeiro do ano passado.

Isso porque, a instituição apontou que a economia brasileira, ou seja, em nível federal, está sendo melhor avaliada que a economia fluminense, que vive uma grave crise fiscal e financeira.

“De fato, tanto no indicador de condições atuais, como no indicador de expectativas, a avaliação da economia brasileira supera à estadual. Esse resultado reflete a recuperação mais lenta da economia fluminense, comparada à brasileira, nos últimos anos. Efetivamente, o Rio de Janeiro enfrenta desafios ainda maiores na área fiscal, com reflexos diretos sobre o ambiente de negócios do estado.”, aponta a Firjan.

A Firjan ainda ressalta que a permanência da confiança empresarial passa, necessariamente, pela concretização do discurso eleitoral. Ou seja, caso nos primeiros seis meses de governo não ocorra nenhuma sinalização nesta direção, a confiança deve voltar a cair.