De onde vem a sala de aula que conhecemos?

Por Hamilton Werneck
18/02/19 - 10:05

Esta foto não foi colhida em país de terceiro mundo. Foi-me emprestada por um amigo que fez curso na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ela mostra a concepção de uma sala de aula, inspirada na produção em série da indústria automobilística americana, no início do século XX.

Sala de aula, inspirada na produção em série da indústria automobilística americana  Sala de aula, inspirada na produção em série da indústria automobilística americana | Foto: Hamilton Werneck (Arquivo pessoal)

Qualquer um de nós, recordando das salas de aula de nossa primeira escola, em qualquer parte do Brasil, terá reavivada na lembrança esta cena. Um atrás do outro, como numa produção em série intelectual, imitando a fabricação de carros.

Quem não se lembra de um “modelito” tradicional, onde, em 50 minutos, um professor deveria controlar 50 alunos, num espaço de 50 metros quadrados, aprovando-os com nota 50?

O que mudou? Não mudaram apenas os “tempos e as vontades, o ser e a confiança” para nos lembrarmos de Camões em “Tudo Muda”.

Mudou-se, sobretudo, o tempo de concentração de uma criança ou adolescente, não ficando para trás os adultos. Se o tempo de concentração na primeira metade do século passado era de 50 minutos, hoje, o tempo de concentração não ultrapassa 12 minutos, além do que, a dispersão se instala e nada mais é compreendido.

Esta é a realidade. Isto faz parte de nosso tempo. Portanto, estas salas de aula, exemplo de especialização em “nucologia”, não têm mais espaço. Investir nisso é perder tempo e jogar dinheiro fora. Os alunos, depois de uma explicação precisam exercitar-se e, em seguida, comunicar-se com os colegas, em duplas ou em grupos, como se cada um fosse professor do outro. É dessa interação que surgirá a fixação do que foi compreendido na memória de curta duração, necessidade básica para a transposição para a memória de longa duração, o que ocorre durante o sono.

Um professor, hoje, em qualquer nível de ensino precisa conhecer o funcionamento do cérebro dos humanos, como eles aprendem e derrubar estruturas de produção em série, elemento mais despersonalizador em qualquer aprendizado.


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