Maioria das unidades escolares de Nova Friburgo não possui sala de leitura

Realidade do município é similar à nacional, em que 55% das unidades de educação não possuem biblioteca ou espaço para leitura

Por Luisa Machado
09/08/19 - 16:00
Maioria das unidades escolares de Nova Friburgo não possui sala de leitura Objetivo da biblioteca é desenvolver o interesse das pessoas pela leitura e informação | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

A biblioteca escolar tem como função disponibilizar recursos educativos para que o aluno consiga desenvolver o processo de ensino e ampliar os aprendizados dentro da escola. Nesse sentido, pesquisa recente divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que o Brasil não tem se destacado quando o assunto é a valorização da leitura nas escolas.

Segundo o Inep, das 180 mil escolas brasileiras, 55% delas, cerca de 98 mil, não possuem bibliotecas e nem sequer uma sala de leitura.

Em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a situação acompanha os dados nacionais, quando citados números de bibliotecas e salas de leitura nas escolas.

Atualmente, existem 120 unidades escolares mantidas pelo governo municipal, sendo 46 delas creches e jardins de infância, e as outras 74 são escolas. Do total, nenhuma dispõe de biblioteca, pois, segundo a prefeitura, isso implica na contratação de um profissional bibliotecário para cada escola.

Por outro lado, no município, existem 55 salas de leitura em diferentes unidades escolares, o que deixa a cidade com percentual similar ao nacional (54% de unidades escolares sem biblioteca ou sala de leitura).

A única biblioteca pública municipal é a Biblioteca Maria Margarida Liguori, na rua Farinha Filho, ao lado da Câmara de Vereadores, no Centro, que dispõe de mais de 35 mil livros, incluindo títulos para portadores de necessidades especiais.

Universalização das bibliotecas nas instituições de ensino

A lei federal 12.244/10 prevê que todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do Brasil devem contar com bibliotecas ou, pelo menos, salas de leitura. A legislação também dispõe que:

“É obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares.”

A norma também determina um prazo de dez anos para a efetivação de todos os critérios previstos em seu texto. O prazo termina em maio de 2020.

O que defende quem trabalha com literatura

Para Walknéia Constantino, professora de literatura em Nova Friburgo, é essencial que os ambientes escolares disponibilizem espaços de leitura para os alunos, pois a literatura colabora de inúmeras formas para a formação dos jovens.

“A importância de existir um espaço para leitura, nas escolas, como exige a lei, é fundamental. Infelizmente há um grande descaso em relação a essa necessidade. Não adianta exigir que os jovens tenham um bom desempenho nas avaliações, quando o trabalho com a leitura não é efetivo”, diz.

Ainda de acordo com a professora, a falta desses espaços próprios para leitura pode levar a prejuízos na vida adulta de muitos jovens. “Muito, que já estão cursando o nível superior, ainda encontram dificuldades em compreender e interpretar textos que lhes são apresentados. Isso, de certa forma, é um resultado da falta de base que não foi desenvolvida nas séries anteriores. Então deve-se proporcionar aos estudantes condições de boas leituras, pois só assim poderão entender e tornarem-se sujeitos da própria situação no mundo”, conclui a professora.