Animais são reféns de crueldades em Nova Friburgo

Alguns dos casos incluem um cachorro jogado em um barranco, um gato esfaqueado e cavalos enforcados

Por Sara Schuabb e Matheus Oliveira
16/04/19 - 17:51 | Atualizada em 17/04/19 - 11:07
Animais são reféns de crueldades em Nova Friburgo Em menos de dois meses, animais são alvos de maus-tratos na Serra Fluminense | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, vem registrando casos recorrentes de crueldades contra animais. Nesta terça-feira, 16 de abril, a Subsecretaria do Bem-Estar Animal (Ssubea) registrou a denúncia de maus tratos contra um filhote de cão que foi jogado em um barranco, após receber pauladas do dono no bairro de Terra Nova. Renata Reis, uma das fundadoras da S.O.S Protetores de Nova Friburgo, que resgatou o animal, diz que o grupo recebeu a denúncia, já sabe quem foi o autor do crime e fez o boletim de ocorrência no 151º Departamento de Polícia na tarde desta terça. O laudo do veterinário que atendeu a cachorrinha deve ser concluído até esta quarta-feira, 17.

“A cachorra estava presa, devia estar latindo e ele deu uma paulada na cabeça dela, que a fez desmaiar. E, ele, achando que ela estava morta, a jogou no barranco, mas a cachorra estava viva. Deu moscas, um monte de bicheiras, os bichinhos tinham comido os olhinhos delas. Muito triste. Resgatamos, mas ela não resistiu e morreu. Há cerca de três meses um gato também morreu por esfaqueamento no Cordoeira, mas não descobrimos quem foi o autor”, conta Renata Reis.

De acordo com a subsecretária da Ssubea, Monique Malhard, para reduzir as mortes provocadas por maus tratos, é importante que as denúncias sejam feitas em tempo de salvar a vida dos animais. “Todas as denúncias que chegam à Subsecretaria de Bem-Estar Animal devem ser feitas presencialmente, por meio de um protocolo, no qual a identidade do denunciante é preservada. Entretanto, como maus tratos e abandono são considerados crime pela legislação brasileira vigente, as denúncias também podem ser feitas diretamente à Polícia Militar pelo telefone 190”, afirma.

Quanto ao que poderia ser feito para minimizar o problema de maus-tratos aos animais, a protetora de animais enfatiza que a castração é urgente. “Primeira coisa a ser feita é a castração gratuita. Há dois anos que não há mais castração em Nova Friburgo. Enquanto não tiver esse serviço, público, vai ficar isso aí, cachorro e gatos jogados, atropelados pelas ruas. A Ssubea apoia mas, sem verba, não tem como fazer muita coisa, estão limitados no trabalho deles”, diz.

Monique diz que as ações realizadas pela Ssubea são em parceria com os grupos de proteção da cidade e abrigos, e a política pública da prefeitura nesta área é voltada para castração, que está sendo viabilizada, e, desta forma, auxiliar no controle populacional de cães e gatos na cidade.

De acordo com a Lei 9.605/98 de crimes ambientais, o artigo 32 diz que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, é crime, com detenção de três meses a um ano, e multa. É considerado maus-tratos espancar, bater, abandonar, golpear, mutilar e envenenar; manter preso permanentemente em correntes; manter em locais pequenos e anti-higiênico; deixar sem ventilação ou luz solar; não dar água e comida diariamente; negar assistência veterinária ao animal doente ou ferido.

A S.O.S Protetores de Nova Friburgo tem cerca de 10 voluntários atuantes no município, que recebem denúncia pelo telefone (22) 99928-2363, socorrem, fazem campanhas na internet, rifas e bazar para levantar recursos financeiros. Também conseguem um lar temporário com voluntários até o animal se recuperar, para ir a uma feira de adoção. Todos os atendimentos em veterinários são feitos com o recurso de doação.

Cavalos também são vítimas de crueldades

No último domingo, 14, um cavalo foi encontrado morto com uma corda no pescoço na Rua Maria Francelina Barroso, no bairro Cônego, em Nova Friburgo.

O pedreiro José Marcelo Amaral Rocha, que estava andando de bicicleta pela localidade, encontrou o animal. Ele conta que tentou socorrer o bicho, mas ele já estava morto.

“Eu o vi enforcado e tentei socorrê-lo, mas ele já tinha morrido. Ele estava inchado porque morreu sufocado pela corda. Nem cheguei a avisar ninguém, pois, logo depois, ele foi recolhido. Aproveitei para registrar o momento e fazer um vídeo pelo celular relatando minha tristeza com o momento. Estamos no século da informação, mas coisas inacreditáveis como essas ainda acontecem. Precisamos que as autoridades deem um basta nisso” relata ao portal Multiplix.

Um caso parecido ocorreu no dia 10 de fevereiro, quando outros dois cavalos, inclusive um filhote, foram encontrados sufocados no bairro Cascatinha.

A Prefeitura de Nova Friburgo informa que “desde que a atual equipe assumiu a Subsecretaria de Bem-Estar Animal, a liberação de animais de grande porte passou a ser muito mais rígida. Animais apreendidos com sinais de maus tratos não são devolvidos, assim como os resgatados pelos mesmos motivos. O animal em questão foi encontrado morto no Cônego e foi retirado imediatamente. A subsecretaria segue buscando mais informações sobre o tutor do animal e na tarde desta segunda, dia 15, inclusive, realiza o registro de ocorrência no intuito de que o culpado seja devidamente punido.”

Como denunciar na Ssubea

A Ssubea criou um formulário para que a população denuncie os maus-tratos aos animais e também acompanhe as providências, já que cada denúncia recebe um número de protocolo. Para facilitar o acesso da população, a subsecretaria passou a funcionar na antiga Rodoviária Leopoldina, ao lado da prefeitura, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h.

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ERRATA: Diferentemente do que foi informado na reportagem, a cachorra não foi enterrada viva. De acordo com Renata Reis, da S.O.S Protetores de Nova Friburgo, que recebeu a denúncia, o próprio dono da cachorra teria dado pauladas na cabeça do animal e, por achar que ela estava morta, teria jogado a cadela em um barranco, onde agonizou e não resistiu.