Fracasso é desistir do sonho

Por Hamilton Werneck
29/04/19 - 10:10

Os grandes cientistas sonharam e realizaram muitos dos seus sonhos. Eles imaginaram e, somente depois, realizaram. A imaginação vem antes da realização, porém, sonhar sem buscar a realização de pouco adianta.

Muitos conferencistas que já assisti falam para plateias que o sonho está na busca. Perdendo-se esse desejo constante de buscar, perde-se a razão de sonhar, realizar e realizar-se.

Sendo a escola o lugar do sonho, ela deveria ser o lugar da realização conjunta de educadores e educandos. Se ela for um lugar onde uns mandam nos outros, ela será o berço da desumanização porque respeitar é mais importante que obedecer na sociedade das pessoas. Hoje, o “manda quem pode, obedece quem tem juízo” é um lema atrasado e superado por outro mais inteligente: “manda quem conhece e obedece quem respeita”. Assim sendo, mesmo arcando com todas as consequências, não sou obrigado a obedecer a quem não conhece porque esta pessoa não se faz respeitar. Para se fazer respeitar é necessário conhecer e, este conhecimento é o resultado da interação entre sujeito e objeto, entre uma pessoa e outra, portanto, algo compartilhado e não trancafiado na cabeça e no coração de quem julga ser o depositário de todo o saber.

A desconstrução dos sonhos começa pela anulação da emoção e do trabalho. A emoção é uma espécie de espoleta que dispara o racional. Se ela for eliminada, as pessoas têm menor inserção pessoal no seu contexto, perdem a orientação e manifestam baixo potencial de auto-realização.

Como esperar que uma pessoa seja especialista “naquilo que não existe” se ela está completamente desmotivada?

Esta é a resultante se os sonhos forem mortos dentro das escolas, embora muitos estejam acreditando que fazem um bom trabalho porque mandam e ainda há quem obedeça.

Se uma escola está pensando em preparar alguém para a vida deve agir no sentido de que as pessoas ali educadas busquem criar o próprio emprego.

Mas, se alguém afirmar que sonho não é ciência, como fica a educação? De fato, sonho não é ciência, mas a atividade empreendedora não é científica. O mundo caminha apesar da falta de ciência. Vivemos uma realidade em que deveria existir muito mais ciência dado que o conhecimento científico é indispensável.

Quando, no local do desenvolvimento dos sonhos não é permitido sonhar, não significa que o mundo vai parar. Ele continua apesar desses erros porque, quando não se sonha no lugar adequado, o ser humano busca outras partes onde possa continuar sonhando.

É aqui, nesse ponto de reflexão, que a escola precisa repensar a sua função na sociedade porque ela poderá ser relegada a planos secundários com prejuízos incalculáveis para a humanização das pessoas.

E quem está desconstruindo o sonho nas pessoas é a escola e a família. Uma pela presença mandonista e, a outra, pela ausência e descompromisso.


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