Abdominoplastia pós-bariátrica

Por Glauco Rocha
19/04/19 - 14:20

A obesidade mórbida é uma patologia de origem conhecida, que, em nosso meio, vem aumentando de maneira assustadora. É considerada uma doença grave, de proporções endêmicas, frequentemente associada a morbidade e mortalidade bem elevadas, assim como aumento dos gastos com a saúde e redução da qualidade e expectativa de vida.

Com o advento das técnicas de cirurgias bariátricas, a obesidade mórbida vem sendo tratada cada vez mais de forma segura e eficaz, com resultados que chegam a 90% de redução do excesso de peso, possibilitando aos pacientes perdas ponderais que podem variar de 60 a 150 kg. Porém, isto passou a criar um novo problema, que são alterações intensas e extensas do contorno corporal, devido a grande quantidade de excesso pele em diversas áreas do corpo, resultando em volumosas dobras cutâneas, trazendo ao paciente sério conflito com a falta de aceitação da nova imagem que se passa a apresentar.

Neste contexto de perda significativa de peso, gerando grandes dobras de pele, o abdome é considerada a região que sofre a maior alteração e deformidade que seu corpo passa a apresentar.

Esta nova situação passou a oferecer à cirurgia plástica um enorme contingente de pacientes, apresentando deformidades que exigem do cirurgião um novo entendimento, uma nova compreensão destas deformidades, pois os efeitos degenerativos, agora defrontados, são muito mais graves e de difícil solução de que se pensava. São cirurgias longas, demoradas, mais invasivas e de maior morbidade, elevando, assim, também, o número de complicações.

Em grande número de casos serão necessários, na mesma região, duas vezes, três tempos cirúrgicos até que se chegue a um nível de resultado aceitável. É importante que fique claro que estas cirurgias são complexas também no seu entendimento, pois, tem cunho estético, mas sendo também reparadora, podendo-se, em muitos casos, obter-se autorização pelos planos de saúde após demandas judiciais.

A atuação da cirurgia plástica no início enfrentou muitas dificuldades, pois, os ex-obesos, apresentavam efeitos degenerativos de tal intensidade para os quais não tinham sido ainda idealizadas técnicas para deformidades desta magnitude. Porém, nos últimos 10 anos, as abordagens cirúrgicas foram se aperfeiçoando, permitindo oferecer aos paciente resultados mais próximos da normalidade e melhora na funcionalidade dos movimentos corporais.

Atualmente, na abdominoplastia no ex-obeso, é mais usada na marcação da retirada do excedente cutâneo, a marcação em ANCÔRA, que deixa cicatriz transversal no baixo ventre e cicatriz vertical partindo de sua porção central, indo até os limites superiores do abdome.

Um menor número de cirurgiões, quando associados à mamaplastia, utilizam marcação em "Y", gerando cicatriz vertical que se bifurca na altura dos sulcos submamários, estendendo-se lateralmente. A marcação tradicional transversal no baixo ventre ainda continua a ser utilizada, mas, em casos quando a perda de peso é menor.


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