Café: vai uma xícara aí?

Saiba os benefícios e malefícios da bebida matinal mais amada pelos brasileiros

Por Sara Schuabb
29/01/19 - 16:14
Café: vai uma xícara aí? Brasileiros consomem cinco vezes mais café do que a média mundial | Foto: João Luccas de Oliveira

Do bule, carioca, expresso, pingado, mocha, macchiato... as variações e combinações são inúmeras! O aroma é sempre marcante e não há dúvidas de que essa bebida se tornou indispensável no cotidiano dos brasileiros. De acordo com dados divulgados pela Euromonitor International, em 2018, que pesquisa o consumo do grão em todo o mundo, o brasileiro consome 16% da produção global de café, bebendo, em média, 839 xícaras de 40 ml por ano, despontando cinco vezes a mais que a média mundial.

Ainda, de acordo com a pesquisa, o consumo cresceu entre 3% e 3,5% em 2018, atingindo 22,9 milhões de sacas de 48 quilos. Isto é, consumimos 1,1 milhão de toneladas de café em um ano.

Diante desses dados, a nutricionista Louise Asth diz que a quantidade de cafeína aconselhável a ser consumida por dia, para não fazer mal à saúde, varia entre 450 ml, e, para grávidas cai para 300 ml. A medida representa cerca de três xícaras de café de 150 ml e, se for expresso, varia entre 5 a 7 doses de 30 ml.

A medição do café consumido diariamente depende da concentração de cafeína de cada receita, se o café é forte ou fraco, e, também de outros alimentos consumidos que levam cafeína, como chocolate, refrigerantes à base de cola, energéticos e chás.

“Tem que contabilizar todo o consumo do dia. Mas também deve ser levado em consideração o metabolismo de cada pessoa. Tem gente que toma de três a quatro xícaras de café e vai dormir tranquilamente depois, enquanto outros tomam uma e não conseguem dormir.”, explica.

Quanto aos benefícios, a nutricionista diz que a cafeína deixa nosso cérebro em alerta, com capacidade maior de concentração, diminuindo a fadiga mental. “A cafeína libera pequenas quantidades de serotonina, que é o hormônio do prazer, bom especialmente para quem está num quadro de tristeza. Mas é preciso ter cuidado, não se pode misturar cafeína com calmante porque pode ter um efeito contrário.”, afirma.

Além disso, afirma que tomar café, além de aumentar a energia, melhora a capacidade respiratória porque há dilatação dos brônquios e tem efeito termogênico, ajudando na aceleração do metabolismo e na queima de gorduras, auxiliando o emagrecimento. De acordo com estudos, a cafeína, dentro das dosagens adequadas, ainda diminui doenças como o Alzeimer e Parkinson.

Mas Louise alerta: cafeína em excesso pode causar problemas cardíacos, aumento de pressão, inclusive prejudicar a concentração, causando efeitos colaterais como irritabilidade, sudorese e taquicardia.

“Para não ter problemas, o consumo de café deve ser moderado e as pessoas devem, sempre, levar em conta o consumo de outros estimulantes que contenham cafeína.”, finaliza.

Breve histórico

O surgimento do café remete ao começo do século VII nas terras da Etiópia, de onde foi transportado pelos mouros para o Egito e a Europa. De origem árabe, a palavra significa “vinho” pela importância que a bebida ganhou para o mundo sarraceno.

No Brasil, a muda do café-arábico chegou clandestinamente no séc. XVII por meio do governador do Estado do Grão Pará. O ciclo do café no Rio de Janeiro ocorreu do séc. XVIII até o final do séc. XIX, a partir da construção de estradas por D. João VI, levando a expansão do cultivo à serra fluminense em Nova Friburgo, Cantagalo, Itaocara e Resende.