A vida pessoal necessita de realidade

Por Hamilton Werneck - 14 de Janeiro de 2019, 09:47

Quantos amigos você tem e pode contar com eles? Refiro-me às pessoas que, além do nome, você conhece a história de vida, momentos alegres e tristes, com quem você compartilha suas angústias, embora não seja seu confidente.

Amigos virtuais não contam. Existem aos milhares nas redes sociais, muitos você não liga o nome à pessoa, até porque na foto do perfil está um gatinho ou uma linda orquídea.

Estes amigos verdadeiros e reais não ultrapassam 150, os demais permanecem 24 horas em sua memória de curta duração e no primeiro sono viram trash (lixo), porque seu cérebro não suporta tantas informações diárias.

Então, meu caro, para viver como humano fora do campo do marketing social, econômico ou político, o que conta é a realidade. A virtualidade é excelente para divulgar um produto ou uma ideia. Os humanos precisam viver e conviver sob pena de entrar em conflito consigo mesmos. Os humanos precisam sentir que se amam e acreditar que vale a pena amar.

Um estoico envelhecia acumulando tristeza porque não acreditava em possibilidade de vida após a morte. Assim, Marco Aurélio e Sêneca aconselhavam as pessoas a “não amar”, porque um dia tudo acabaria. Quando um morresse tudo estava acabado.

Um dos milagres do cristianismo foi propor a ideia de vida eterna e disseminar o valor do amor entre as pessoas. O cristianismo diz para amar ao próximo, dado que a morte é uma separação temporária entre os que se amam. Quando a outra parte morrer, haverá o encontro entre os que se amaram na terra. Este princípio do cristianismo, com mais de 2.000 anos de existência, sustenta pessoas e a própria fé. Sem este conceito disseminado entre as pessoas, não haveria cristianismo além do primeiro século, nem o mundo em sua história temporal seria dividido em tempo antes e depois de Cristo.

Portanto, mantenha seus amigos no Facebook, comunique-se pelo zap e Messenger, sabendo sempre que para viver em felicidade e harmonia com a natureza que nos cerca, precisamos de amigos reais e seu cultivo nos equilibra psicologicamente.

O sentido de “pertença”, pertencer a um grupo de pessoas, a um clube de serviço, participar de uma igreja ou de um clube literário garante aos humanos, como gregários, uma proteção semelhante à que existia nos tempos das cavernas. Agrupar-se para se defender.

A era do conhecimento já está sendo superada pela era das conexões. Não adianta saber, se você não comunica este mesmo saber. O saber é, portanto, de forte impacto social ou deixa de ter valor. Saber somente para si é uma atitude que pode atrapalhar a sobrevivência dos humanos. Nos aglomerados tribais, o que um sabe, todos sabem. Trata-se de regra básica para sobreviver. A privatização dos conhecimentos em patentes e direitos pode aumentar os bens do inventor, prejudicando a humanidade inteira.

Antigamente sabia-se o lado certo das coisas. O que era certo e o que era errado. O que fazia bem e o que deveria ser rejeitado. Hoje, não. Somos levados a conviver constantemente com situações complexas a ponto do competente ser definido como alguém capaz de lidar com essas situações.

Tratando-se de humanos, não lidamos com pregos e martelos, cossinetes e computadores, lidamos com gente que fala, pensa, ri e sente.


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